Gosto de brincar de estranhos.
Eu sou ela.
Você é ninguém.
Então nos encontramos e perguntamos do que o outro gosta apesar de sabermos até como o outro procede em seus momentos mais íntimos e sexuais. Ignoramos o fato de sabermos como um astrônomo sabe as estrelas, cada marca do corpo um do outro.
Eu sou ninguém.
Você é ele.
Então nos encontramos, eu finjo ser outra pessoa, outra personalidade. E você finge ser seu ego.
E sempre me conquista.
Sempre me tem.
Não importa que vida eu tenha, que personagem eu interprete no grande palco de tragicomédia que é a vida, minhas linhas sempre se embaralham com as suas, e nós cantamos o mesmo dueto em oitavas diferentes, não existe dissonância.
Não existe discordância.
Só eu e você, nus como somos no palco sem luz e sem cortinas da vida, de mãos dadas esperando nossa vida juntos começar.
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